Compro livros. Natural. Devo comprá-los, e gosto de comprá-los. Devo pela profissão almejada; e gosto “por gostar”, por encontrar nos livros uma satisfação muito especial que não encontro em qualquer lugar, ou pessoa. Então, por isso, estou sempre comprando. Algum título necessário para pesquisa, ou algum título que me chama atenção há algum tempo. Tem caso também de comprar no impulso, por achar que aquele livro pode me dizer alguma coisa. O fato é que não passa um mês sem que eu invista nesse tipo de compra. E, com julho, não está sendo diferente.
Gerúndio de uma história em pó
por Bruna Maria
Quarta-feira, Julho 28, 2010
Domingo, Julho 25, 2010
Esboço de um adeus*
por Bruna Maria
A porta fechada. Eu imaginava se ele não ficava observando minha silhueta desaparecer no corredor, através do olho mágico, nas vezes em que eu ia lá.
O prédio não tinha elevador. Da porta, eu caminhava lentamente até a escada, que ficava na outra extremidade do andar. A cada passo vagaroso que dava, eu sentia deixar algo para trás. Alguma parcela de vida se fazia perdida, semana após semana, a cada despedida e fechar de porta. Era sempre para menos, desde a primeira vez: a visão desfocada da ampulheta virada e quase finda, do calendário no mês de dezembro, do ponteiro cansado das horas.
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Sobre o ritmo de escrita no blog
Tive duas semanas nas quais não pude me dedicar direito a escrever ficção. Com isso, o diretamente afetado acaba sendo o blog. A rotina de postagens fica balançada mesmo. E sobre isso venho apenas dar uma satisfação.
Teoricamente, nessa semana que está se iniciando, talvez seja possível trabalhar em algum texto, ou criar um novo, completamente inesperado. Veremos...
Relativamente ao livro, sigo escrevendo. Posso dizer que avancei alguns capítulos, entre a exaustão e o ligeiro prazer de ver se desenhar um enredo.
De resto, hoje posto um miniconto não inédito. Quem ainda não o conhece, pode conhecer hoje.
Sexta-feira, Julho 16, 2010
Relatório impróprio de uma madrugada em claro
por Bruna Maria
Enquanto a TV segue ligada, quase muda, no volume mais baixo possível; enquanto isso, confundo os ruídos do programa de entrevistas tolas, desconexas e vazias, com o barulho inconfundível e mesmo reconfortante dos pingos da chuva que corre sem parar, lá fora. Não sei por que a TV segue ligada. Não sei por que a necessidade visceral de sua luz em colapso refletida por todas as quatro paredes do quarto, num mar, num bailar como que de água, mas de iluminuras de cores várias. Não sei. Talvez seja por estar só e por ser tão tarde, tão tarde. Tão tarde que quando passo os dedos sobre a face não sei se sinto rugas no lugar que deveria comportar marcas da adolescência; ou, ainda, tempo tão corrido e fugidio que me revele, ao olhar os dedos frenéticos sobre a superfície irregular de letras esparsas, em teclas separadamente, essa unha fraca, essa pele seca, essa idade que já se encontra avançada.
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Quinta-feira, Julho 08, 2010
Um beijo e eu te dou o mundo
por Bruna Maria
Ela tinha um dos pés contra a parede, joelho flexionado, e a outra perna correndo esguia até o chão. Fumava. Uma sirene tocou por cerca de meio minuto. Ela tragou o cigarro, apressada, e jogou o que sobrara ao chão, sem se preocupar em apagar a guimba ainda acesa. Em seguida, da mesma direção de que soara a sirene, ela ouviu o som do burburinho e de movimentação. Era o intervalo. Era o recreio.
A rua onde ela estava, do lado de fora do animado pátio do colégio, estava deserta. A sonoridade divertida vinda do interior da escola fez com que ela cogitasse um leve arrependimento por estar do lado de fora, matando mais um dia de aula.
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